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tecnologia -
Uma questão de
inteligência!
| por Lucia Helena Corrêa |
A revolução que começa a se desenhar nas corporações,
levadas à lucratividade pela via da valorização do capital
humano, é um milagre operado pela aplicação do conceito de
Balanced Scorecard (BSC). Mas, fora de dúvida, ele somente se
realiza, na prática, graças à eficiência analítica das
ferramentas de Business Intelligence (BI), cujo mercado, nos
últimos dois anos, experimentou crescimento entre 10 e 12%,
calculam alguns dos maiores fornecedores - Cognos, Hyperion,
SAS Institute e Siebel.
"Na verdade, o BSC já existia
há 20 anos, mas faltava a tecnologia que pudesse democratizar
o conceito, estendendo-o às diferentes unidades das
corporações. As ferramentas de BI vieram resolver esse
problema", opina Antonio Paulo Rihl, diretor da Hyperion na
América Latina. Com base em pesquisa da AMR Resource, ele
aponta um outro motor na arrancada das soluções aplicadas à
análise de informações: a necessidade de adequação dos
conglomerados financeiros à Lei Sarbannes-Oxley e às normas
internacionais ditadas pelo Acordo Basiléia 2, que devem
demandar, mundialmente, investimentos da ordem de US$ 1
bilhão.
No Brasil, sem contar a indústria de finanças,
a Hyperion acaba de engordar a carteira de clientes,
conquistando o Grupo Sonae. Com negócios nas áreas de varejo,
shopping centers, telecomunicações e serviços, o conglomerado
português decidiu adotar a solução Hyperion Financial
Management para consolidar as informações financeiras nas
várias unidades da holding. Em escala global, a fabricante
norte-americana fatura por ano cerca de US$ 500 milhões.
Outra empresa animada com a movimentação do mercado de
BI, por conta do apelo do BSC, é a canadense Cognos, que
faturou US$ 600 milhões no ano passado. Dona da plataforma CPM
(Corporate Performance Manager), uma solução de BI que se
combina com o Cognos Metrics Manager (CMM), na carteira de
clientes ela exibe, entre outras corporações globais, a
Amanco, o gigante do ramo de materiais para construção. Neste
cliente, o CMM monitora o desempenho das operações, nas várias
unidades de negócios, por meio de indicadores. "Sem
ferramentas de BI, as corporações conhecem os problemas, mas
não têm como resolvê-los", argumenta Mauro Orlando, diretor da
empresa para a área de serviços.
A pujança do nicho
representado pelas ferramentas de BI não se revela apenas na
série de depoimentos colhidos por e-Manager. Durante a
Business Intelligence Conference 2004, a IDC Brasil anunciou
os resultados de uma pesquisa que ouviu 1,3 mil executivos de
empresas do mundo inteiro. No estudo, os entrevistados apontam
quatro boas razões para investir em BI: a possibilidade de
automatizar decisões de negócio; emprestar maior transparência
aos processos decisórios; garantir a precisão e velocidade das
decisões, com redução de custos; e avaliar, de maneira mais
precisa, o grau de relevância das informações.
A
realidade dos números A maioria das empresas
entrevistadas (23%) disse que, ao aderir ao BI, buscava
aumentar o nível de satisfação/retenção dos clientes, enquanto
outros 21% dos usuários estavam atrás de reduzir custos. O
aumento da receita é a terceira razão (18%), seguida do
incremento da lucratividade (16%), participação de mercado
(14%) e melhoria da estratégia aplicada a produtos (12%).
Os grandes usuários das ferramentas de BI, segundo
apurou a IDC, em 132 entrevistas, são os executivos da alta
administração (23%), quase empatados com os da área de
finanças (22%). Enquanto os profissionais de marketing (18%) e
vendas (17%) vêm em terceiro e quarto lugares, seguidos dos
executivos das áreas de recursos humanos (11%) e informática
(9%).
Algo como 48% das médias empresas, de um total
de 360, e 44% das grandes (228) consideraram "adequado" o
sucesso da implantação. A qualificação "bem-sucedida"
aplicou-se ao resultado dos projetos em apenas 28% das médias
empresas e 24% das grandes corporações, índices que o analista
Bruno Rossi, levando em conta a juventude das soluções de BI,
considera muito bons.
O resultado também é positivo
naquilo que ainda se considera o calcanhar-de-Aquiles dos
projetos de Tecnologia de Informação: o estouro do orçamento e
dos prazos. De 76 grandes empresas, 28% dizem que as previsões
se confirmaram, índice que, no caso das empresas de médio
porte (114), sobe para 36%. Menos de 25% das grandes e pouco
mais de 20% das médias registram quebra do planejamento, em
termos de prazos e orçamentos.
Quanto aos desafios, os
maiores, na implantação do sistema de BI/DW, citados pelos
diretores de TI, são, pela ordem, a qualidade dos dados;
educação e treinamento, além das mudanças culturais. Os
executivos da área de negócios, por sua vez, reclamam da falta
de treinamento, qualidade dos dados e mudanças culturais.
Esses, em 60% dos casos, confiam plenamente nas informações
que lhes chegam, índice que recua para 48% entre os
profissionais de TI.
BOX Votorantim desata o nó social
De acordo com o mais generoso dos mandamentos cristãos
- de que se deve fazer o bem sem olhar a quem e sem esperar
retorno -, o Grupo Votorantim executa seu projeto social, que
beneficia 28 mil empregados em 70 unidades. Com familiares e
empregados contratados em regime de terceirização, a companhia
jamais se preocupou em monitorar os investimentos, na maioria,
feitos em atendimento a solicitações ou demandas identificadas
nas áreas de saúde, qualidade de vida, educação e cultura,
treinamento e especialização, controle de acidentes do
trabalho e gestão dos recursos ambientais. A idéia era
englobar o impacto das próprias atividades do grupo, que
possui no total onze áreas de negócios.
De certo modo,
a atitude se explicava. "A principal motivação dos patrocínios
concedidos sempre foi, e continua sendo, o retorno em termos
de imagem e, acima de tudo, o alcance social no contexto da
sociedade", argumenta Daniela Reis, gerente do Instituto
Votorantim, encarregada de pilotar os projetos.
Há
três anos, porém, o conglomerado, do alto dos seus 85 anos, se
deparou com problemas. As ações estavam se multiplicando e não
atendiam aos requisitos legais que sujeitam as sociedades
anônimas, inclusive no que diz respeito à qualidade dos
balanços, o que levou a uma mudança de comportamento. Da velha
planilha estática, segundo Daniela, incapaz de atender às
necessidades em termos de planejamento e controle das
operações, a Votorantim evoluiu para a solução zQuality
Balanço Social.
Desenvolvido pela zQuality,
integradora da plataforma Cognos Planning, que inclui
ferramenta de BI (Business Intelligence), o sistema fez o que
parecia impossível: uniu o útil, ou financeiramente correto,
ao agradável com o gerenciamento sem burocracia, como
testemunha a executiva. "Mesmo ainda sem se aplicar à coleta
dos dados via Internet, por conta, exclusivamente, das
características específicas de cada unidade, com o zQuality, o
balanço social do Grupo Votorantim agora se consolida em
apenas dois meses, quando a média anterior era de seis meses,
em função da complexidade corporativa", comemora.
O
conglomerado de empresas inclui o Banco Votorantim,
escritórios e fábricas no Canadá e Estados Unidos, tem
negócios nas áreas de produção de cimento, celulose, papel,
alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno
biorientado, especialidades químicas e suco de laranja. No ano
passado, o faturamento anual consolidado chegou a R$ 15
bilhões, enquanto o lucro bateu na casa dos R$ 3,4 bilhões.
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